Todo mito segue uma sequência construtiva. Você já deve ter reparado nos filmes de Hollywood. É só você deixar de se ater à linguagem criativa que sobrará a mensagem principal e o arquétipo envoltos na história (mito). Parece complicado, mas é simples de entender. Ano após ano nos encantamos com os filmes premiados, mas mal sabemos que eles todos seguem a mesma sequência construtiva.
Não posso me aprofundar mais nisso senão deixarei o artigo longo e você
perderá o interesse pela leitura. Preciso só de mais um pouco da sua atenção
nessa introdução.
Assim como a história de um filme, pessoas também têm suas próprias
histórias. No entanto, na grande realidade da vida nenhuma delas segue a
sequência construtiva de um filme, por exemplo. Quem nunca ouviu: “só acontece
no cinema, queria ver na vida real”.
Pois é, o que você acha que chama mais a atenção da população,
histórias cinematográficas (mitos) ou histórias reais?
Não poderia escrever a partir daqui sem essa pobre introdução.
Desculpem-me.
Pois é, Anderson Silva é um mito. Você concorda?
- Infância humilde. Encontra nas artes marciais um chamado para a vida. (etapa 01)
- Em um momento encontra um tutor (Minotauro) que o conduz pela trilha do MMA. (etapa 02)
- O primeiro torneio (Brazilian Freestyle Circuit) e a partida. (etapa 03)
- As provações começam. Dificuldades. (etapa 04)
- Momento de reflexão: as coisas estão dando certo até que o ingresso no maior evento da época (Pride) concretiza a introdução do mito.
- CRISE: (Pride 26: Bad to the Bone) Podemos dizer que foi a primeira derrota do candidato ao mito. Derrota esta que o fez chorar de verdade. Quanta coisa não deve ter passado pela cabeça dele. Veja o vídeo: http://youtu.be/k_QeJ5kPUto “[...] tem que ser forte para levantar a cabeça e dar a volta por cima.” (1’22” do vídeo)
- A derrota é superada psicologicamente e depois de três anos disputando alguns torneios sem tanta expressão como o Pride o convite para lutar no UFC (O tesouro). O UFC nessa época já era promessa, mas ainda não tinha a rentabilidade nem a audiência dos dias atuais.
- O resultado disso tudo você já conhece. Ganhou o cinturão e não perdeu mais. Foram 10 defesas consecutivas desde 2006.
- Lutador de MMA de sucesso ganhou a vida fora para depois retornar como ídolo à massa brasileira.
- Já consagrado dentro do octógono uma nova vida o esperava aqui no Brasil. Agora para mexer com a publicidade, a mente de jovens, e por aí vai. Tudo isso fez com que ele compreendesse sua nova posição, agora não só como atleta, mas como “ídolo” que a mídia brasileira gosta de providenciar.
Isso é uma história. Isso é um mito. Com um pouco mais de prática você
conseguirá encaixar esta mesma sequência em qualquer filme
americano.
Uma vez escrito o mito, só resta um “the end”, ou melhor “happy end”,
ou “viveram felizes para sempre”. Mas, o Anderson quer lutar. Não quer que acabe ainda. Pois então, aqui
fica minha pergunta:
Por
qual razão continuar lutando? Qual será a motivação? Como a história "Anderson Silva" continuará atrativa se ela já chegou ao final?
Hipótese: reconstrua uma nova história. Comece de um ponto em
que a trama pode ficar interessante novamente. A criação do mito, parte II.
Pronto! O cenário foi montado! Anderson Silva é derrotado e uma nova CRISE assume a história do campeão. Nessa parte da crise (a mídia se encarrega disso) vamos colocar a culpa na “arrogância”
do lutador que agora voltará com uma nova postura, inspirada por um novo tutor. Mais maduro, mais humilde.
O Anderson tem dado milhares de entrevistas. Dentre elas quero mostrar
a entrevista dada ao Estadão. “Eu (Anderson) estou mais maduro.” (1’25” do
vídeo) - Link para o vídeo: http://youtu.be/UzMP7MA7VX8
Meu objetivo com esse artigo foi deixá-lo registrado antes do confronto que
marcará o início da reconstrução do mito.
Uma última e importante ressalva: do lado de lá existe um jovem
credenciado e motivado a se manter campeão. Reconstruir essa história envolve
derrotar um jovem motivado do outro lado. Não acredito em combinação de
resultados. O UFC não é ficção no sentido de manipular, mas no de criar personagens que alimentem espectadores. Dentro do corner eu ainda quero acreditar que prevalece o "que vença o melhor".
Gastei meu tempo aqui com a plena convicção de que estou alimentando a política do "pão e circo". O que me conforta um pouco é tentar pensar no planejamento que há do lado que ninguém vê. Sei que uma luta não é só uma luta. Há mais interesses por trás delas do que qualquer coisa. Então, que prevaleça a tentativa de desvendar as estratégias obscuras. Gosto de exercícios assim.
Gastei meu tempo aqui com a plena convicção de que estou alimentando a política do "pão e circo". O que me conforta um pouco é tentar pensar no planejamento que há do lado que ninguém vê. Sei que uma luta não é só uma luta. Há mais interesses por trás delas do que qualquer coisa. Então, que prevaleça a tentativa de desvendar as estratégias obscuras. Gosto de exercícios assim.
Emerson Correia Costa
Arquiteto de Marcas
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