domingo, 30 de junho de 2013

Coca-Cola: uma fábrica de motivação humana



Se você pensa que a Coca-Cola só te oferece refrigerantes, você está muito enganado, haja vista a missão que a empresa definiu:

Missão da Coca-Cola: (fonte: site global da marca)
REFRESCAR O MUNDO em corpo, mente e espírito.
INSPIRAR MOMENTOS DE OTIMISMO através de nossas marcas e ações.
CRIAR VALOR E FAZER A DIFERENÇA onde estivermos, em tudo o que fizermos.

Como exercício, comece a olhar todas as campanhas da Coca-Cola através da missão acima. Nessa postagem selecionarei cinco para facilitar a análise e uma delas explorarei em alguns aspectos.

Antes de mais nada um rápido desabafo: Como pode uma empresa cobrar grandes idéias de sua agência se ela não tem uma missão enquanto provedora de meios para saciar as necessidades da população?
Não existe um milagre da criação. Todas as grandes campanhas (ideias) surgem de uma missão muito bem definida (marketing), para depois emergirem em um berço de questionamentos e um “pouco” de criatividade (publicidade).

Retomando o raciocínio, analisarei a campanha de 2010 que virou sucesso no planeta.
O jingle da Coca-Cola que surgiu na Copa do Mundo da África em 2010. Até hoje ele é usado pela marca em todos os vídeos que são lançados. A agência JWT foi a responsável pelo desenvolvimento da campanha no Brasil.

Wavin 'Flag / JWT Brazil << clique aqui
Vídeo com os resultados da campanha global no Brasil - Agência JWT Brazil)


Agora, desmembrarei a missão com base na campanha em questão.

1ª PARTE: O REFRESCO DO MUNDO
Uma trilha sonora que se tornou música com tambores e melodia em tom maior. Um estilo musical que não se posiciona como um estilo agressivo, podendo causar rejeições. Quando a ouvimos refrescamos nossa mente, afinal vemos a união de povos, culturas, raças, tudo sem violência, com muitos sorrisos e abraços.

2ª PARTE: OS MELHORES MOMENTOS DA VIDA
Durante todo o tempo em que estamos presos à propaganda vemos muitas pessoas sorrindo,comemorando muito uma liberdade, sem necessariamente estarem tomando Coca, afinal ninguém fica bebendo 24h por dia. Com isso a Coca te inspira em momentos de otimismo, alegria, com a marca como uma coadjuvante com intenções de protagonista.

3ª PARTE: CRIANDO VALOR (SEMIOSE)
Nossa construção de valor mental se faz através do processo de semiose. Fazemos esse processo diariamente em nossas mentes e nem nos damos conta. Quer um exemplo?
Até ontem era moda fazer mechas californianas, mas esse ano a tendência já está em queda e se você ainda faz significa que está “fora”. Quem diz o que está “dentro” ou o que está “fora”? A moda. E como ela faz isso? Através da construção de valores (semiose) dentro da sua cabecinha.
A Coca-Cola com a campanha em 2010 construiu um grande valor de liberdade e alegria, associados à sua marca. A campanha teve um sucesso tão interessante que até hoje as notas musicais do jingle da campanha são repetidas nos vídeos que vão surgindo da marca. (Confira essa informação nas campanhas sugeridas no final da postagem.)

Toda e qualquer campanha tem de surgir para fazer diferença (criar valores). Se não faz diferença, algo está errado e deve ser repensado. 

Por fim, uma coisa muito interessante. A missão da Coca está baseada nos princípios da persuasão. Trabalhar na mente do consumidor, alimentando-o em corpo e alma com situações agradáveis que gerem otimismo, capazes de alterar seus valores humanos.

Repare, em algum momento você viu o refrigerante em destaque?
O refrigerante tornou-se apenas um meio (quase não divulgado), enquanto que a marca já não se faz mais através dele.  Seja bem-vindo à fábrica de motivação humana, The Coca-Cola Company, que te faz beber sem mencionar nenhuma característica técnica do seu produto.



Veja mais campanhas e faça a análise com base na missão:















Emerson Correia Costa


terça-feira, 18 de junho de 2013

Vem pra Rua!






À Fiat,

Pode começar a dar pulos que a campanha já é um sucesso nacional.
Se você já havia proposto ficar ao lado das pessoas que não compraram os ingressos, agora então, vocês já estão, através de associação indireta, ao lado de todos os manifestantes brasileiros.
Então, através de associação indireta, vocês também declaram ser contra a corrupção desse país, contra os abusos que acometem a população, afinal vocês estão com a população.

Parabéns ao Henrique Ruiz e aos publicitários que tiveram a mega felicidade de lançar uma campanha como essa, e que calhou com uma mega manifestação que tem levado a população às ruas. Que sorte! Ou tudo já estava calculado?

O Fordismo revelou a receita, dizendo que gostaria de vender seus carros à massa, e não só aos ricos. Vocês seguiram a risca e trouxeram a massa para vocês!

Sem mais palavras, se o brasileiro não veio às ruas para o evento mundial de futebol, veio para protestar. E quem chamou para ir à rua primeiro? Fiat!

“Vem, vamos pra rua
Pode vir que a festa é sua
Que o Brasil vai estar GIGANTE
Grande como nunca se viu”


Detalhe, quem assiste um evento de uma arquibancada não utiliza meios de comunicação, ou seja, vê o espetáculo ao vivo sem influências de terceiros. Ver da televisão, escutar no rádio, exige auto-crítica porque “(...) a mídia escrita, falada ou televisiva, ao divulgar um determinado fato, não se contenta com a mera apresentação apenas. Aspectos como o tom a ser empregado e a frequência de repetição na condução da notícia, bem como sua valorização, são levados em consideração. (...) Essa forma é extremamente útil aos que exercem o poder, pois transmite a informação com as nuanças de interpretação”.  (Criatividade na Sociedade de Consumo. 1997. Maria Elisa Marcondes Helene)

“Vem pra rua,
Porque a rua é a maior arquibancada do Brasil”

Mais uma vez, parabéns! 




Emerson Correia Costa
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Será que falo do gigante adormecido da Johnnie Walker? Fica para a próxima, mas curta o vídeo porque o Brasil está acordando através de um meio que já estava esquecido em nossas bandas.






Emerson Correia Costa



terça-feira, 11 de junho de 2013

UFC é esporte!






Umas das marcas em maior ascensão no planeta.
Sabe o que tem por trás dela?

Usarei uma justificativa de Roland Barthes em seu livro Mythologies: “A virtude de todas as lutas está no fato de elas serem a exibição do excesso (...) a grande exibição de Sofrimento, Derrota e Justiça” (1957, p.19). Complementando ainda mais a citação de Barthes, trago também um comentário específico sobre “o duelo” feito por Randazzo, em A Criação de Mitos na Publicidade, que diz: “... o ritual duelo masculino é o desejo de poder masculino altamente dramatizado (...) mostrar que “tem colhões” para enfrentar outros machos da espécie é mais um obstáculo que o homem deve superar para provar a sua virilidade diante de outros homens” (1997, p. 183).

Com base nas informações acima podemos buscar em nossa memória batalhas memoráveis da época da escola. Se um “cara” te chamasse para a “porrada” você tinha de ir para mostrar que era “macho”. Agora, você se lembra de alguma dessas brigas sem platéia? Com certeza todas elas tinham um coro bem afinado com “PORRADA, PORRADA...”.

As batalhas encantam os homens há milênios. A genética masculina é guerreira. Isso é fato. Não estou dizendo que isso justifica qualquer atitude de violência, afinal parece que somos racionais e isso devia nos controlar.

Lutas. “O futebol americano, com seus combativos gladiadores, é um dos mais celebrados rituais de duelo masculino. O jogo, com sua característica fálica (...) e os seus contínuos duelos, é a própria quintessência da masculinidade. Os comentaristas gostam de falar de todas aquelas estratégias embutidas nos jogos e, sem dúvida, tais estratégias são parte do espetáculo. Mas o que enche os estádios e mantém os homens grudados nas suas telinhas é a competitividade e a violência”, complementa Randazzo (1997, p. 184).

Você já parou para pensar porque existem os esportes?

Se você já assistiu o filme Gladiador, então você teve a oportunidade de se deparar com o ritual de duelo mais primitivo do ser humano. Nesses duelos havia mortes. Ou seja, os atletas gladiadores, muitas vezes, não tinham a oportunidade de disputar mais do que 10 partidas na arena. A morte chegava e o “atleta”, habilidoso, dizia adeus ao mundo sem ter uma segunda chance.
Eis que vem uma solução aos espetáculos (batalhas): “Os esportes foram inventados para praticar e aperfeiçoar as artes marciais” (Randazzo, 1997, p.184).
Ótimo!
Agora você não precisa mais matar seu adversário. Encaixe um “Katagatame” e se ele bater você solta. Dois meses de recuperação e o gladiador está de volta ao coliseu (octógono). Sem mortes, mas ainda assim, com as mesmas batalhas que encantavam há mais de dois mil anos.

A doutrina da marca UFC transmite a mensagem a seguir sem usar palavras, apenas sabendo que todo homem é apaixonado por sangue: esporte para um romano do século I d.C. era ver uma luta com apenas um vencedor, onde o perdedor, além de perder a batalha, perdia a vida. Veja só o que Randazzo diz sobre isso: “Em algum canto escuro da alma masculina, um canto que mantemos escondido das nossas namoradas e esposas, nós homens gostamos do sangue e da matança” (1997, p.178).

O UFC, como um facilitador, massificou a oportunidade de voltarmos à época das batalhas memoráveis, mantendo os gladiadores vivos, e liberando o apreço pelo sangue. Então, se não há morte é esporte. Se os atletas são protegidos é esporte.

Quer mais um fato curioso?
Você pode estar se perguntado: por que as mulheres têm ido às arenas apreciar os espetáculos do UFC? Será pela mesma violência que encanta os homens?

A mulher tem o incrível poder de gerar vidas e isso é oposto à morte. Batalhas levam à morte, se analisadas na essência. Ao contrário dos homens, mulheres não provam feminilidade em batalhas. Então, o que as leva ao UFC?
“As mulheres acham o Guerreiro perigosamente excitante (...). As mulheres dizem odiar a guerra e a matança, mas também dizem que adoram os homens de uniforme.” (Randazzo, 1997, p. 179). A busca no espetáculo não é a mesma.

E o que dizer sobre a nova categoria liderada por Ronda Rousey? A campeã da qual me referi é uma das gladiadoras do UFC. Estranho, não é? Mulheres não batalham. Mulheres não brigam. Correto?

Sejam bem-vindos ao mundo contemporâneo! “Com efeito, a ciência e a tecnologia criaram um mundo em que é agora possível que uma mulher se realize fora da procriação” (Randazzo, 1997, p. 167).

MMA é esporte! MMA é UFC! Thank you!



Emerson Correia Costa