segunda-feira, 22 de abril de 2013

Você tem sede de que? Você tem fome de que?...


O artigo de hoje não será de uma campanha específica. Na verdade a ideia é explorar a base de qualquer campanha que você vê. De uma outra perspectiva, esse é o meio pelo qual elas se desenvolvem.

Cinco pessoas tiveram influência direta nesse conteúdo. Interessante que tudo o que se passará aqui começou no domingo e finalizou hoje no final da tarde. Foram conhecimentos separados que juntos se transformaram em uma explicação bem interessante do mundo de consumo.

Colaboradores: Lukas Ribeiro, Tiago Mattes, Maria Elisa, Antonio D'Angelo e Noga Maria.


Tudo começou com a tirinha que recebi do Lukas.



Olha que interessante. Creio que não é necessário explicar nada.
Quem diz o que é uma necessidade e o que é supérfluo?


Depois disso o Antonio me disse: "Emerson, ontem eu li um artigo com a minha esposa à respeito da psicologia de consumo. O artigo trazia uma pesquisa feita em ratos para mostrar a teoria econômica sobre as leis do consumo humano. Basicamente, o objetivo era distinguir necessidades e supérfluos.
Antonio, encontrei a autora da pesquisa.

Vejam só como funcionava:

Pesquisadora: Ana Carolina Franceschini

Dinâmica da Pesquisa:
Foi-se utilizado um equipamento chamado Caixa de Skinner. Trata-se de uma estrutura retangular, com um bebedouro de água e uma alavanca, sensível ao toque. Ao apertar a alavanca por dez vezes, o rato recebe uma gota de água.

Depois de alguns dias realizando o mesmo procedimento, os ratos aprendem que precisam realizar esse esforço para receber sua porção de água – eles ficam sem consumir nenhum líquido pelo resto do dia.
Depois de ter aprendido o sistema, é possível ensinar-lhes o conceito de renda.
Um painel com 14 leds, pontos de luz, é colocado na cabine. Quando as luzes estão acesas, o esforço que o rato faz para conseguir a água é recompensado. Quando as luzes estão apagadas, nada acontece. “Isso o faz entender que a luz é o que determina o fato de receber a água ou não. Ela vai funcionar aqui como o dinheiro funciona para o homem. Ela é uma espécie de renda”, diz ela. A partir disso é possível manipular a quantidade de luz e analisar as mudanças de comportamento apresentadas pelos animais.
Os ratos conseguiram entender a lógica da situação e, depois de alguns dias submetidos ao processo, pararam de requerer água quando as luzes estavam apagadas.

Manipulação da renda
Para entender o comportamento a partir da variável “renda total”, Ana Carolina passou a fornecer aos ratos diferentes “quantidades” de leds. Cada luz representava sete gotas de água, portanto, depois de dez toques na alavanca o rato recebia uma gota e depois de fazê-lo por sete vezes, a luz se apagava. Em uma segunda etapa, os ratos passaram a receber água livremente e cada luz passou a representar quatro gotas de água com açúcar.
A cada dia os ratos tinham disponível diferentes números de leds acesos e eles tinham que lidar com essa variação de “renda”.

O que a psicóloga observou é que, até determinado momento, o crescimento do consumo acompanha o crescimento da renda. “Quanto mais leds acesos eles tinham, mais eles consumiam”. Mas depois de um certo momento, esse consumo não aumentava mais na mesma proporção, pois os ratos já estavam saciados. “Depois de tomar tudo aquilo que lhes era necessário, eles deixavam de consumir na mesma proporção, pois passavam a considerar o custo benefício, ou seja, se o esforço de apertar as alavancas valia as gotas de água ou de água com açúcar extras, que eles já não precisavam tanto”, explica.

Fonte: http://www.usp.br/agen/?p=115828



Loucura, não é?
Na verdade os ratos demonstraram que não era necessário desperdiçar esforços (dinheiro) em algo que eles já tinham. A sede havia passado, então, economize dinheiro, pois a água com açúcar já não vale tanto assim.

Quem disse que eles precisavam da água com açúcar? A manipuladora da pesquisa. Esforce-se um pouco mais pela água doce. Na verdade você só precisa de água normal, mas corra atrás da mais doce, pois é gostosa e complementa. Você pode!


Seguido disso o Antonio trouxe à conversa uma diretriz de Steve Jobs, que dizia que o consumidor não sabe quais são suas reais necessidades e que por isso ele as cria, desenvolvendo assim novos mercados de consumo. Exemplo disso foi o Ipad (tablet) que hoje é uma "necessidade".

Em meio a esse bate papo tive de trazer parte da pregação do Tiago Mattes à roda.
Mais ou menos assim: na Bíblia o homem é comparado à ovelha. E o interessante disso é saber porque uma ovelha.
As ovelhas são animais que não vivem sem um guia (pastor). São incapazes de viver sozinhas, estando sempre em grupos. Quando sozinhas não conseguem se alimentar, pois não diferenciam as ervas boas das ruins. Resumindo, estes animais são totalmente dependentes do guia.

Trazendo para a vida do consumo será que podemos dizer que somos ovelhas?
O Steve Jobs dizia que o consumidor não sabia quais eram suas necessidades, por isso as "criava".
As mídias ficam a todo tempo dizendo o que são necessidades. Agora a moda é assim, daqui a pouco assim...

Com base nisso pense nas campanhas que você vê. Questione sobre algumas coisas que você já está dizendo: eu estou precisando disso, ou, não vejo a hora de conseguir aquela grana para adquirir...
Será que você precisa mesmo ou disseram que você precisa e é uma necessidade?


Você tem sede de que? Você tem fome de que?...
Quem é seu guia para ajudar na resposta da pergunta acima? Se for a Mídia ela vai te guiar para uma série de lados, os lados que ela quer, que o capitalismo quer. Vai te alimentar da maneira que quiser.

Enfim, aos publicitários: como vocês utilizarão seus poderes? ;D



Agradecimentos ao:
Antonio D'Angelo
Lukas Ribeiro
Tiago Mattes

Ah, e você deve estar perguntando porque eu não citei nada sobre Noga Maria e Maria Elisa.
Noga Maria é minha querida mãe e a Maria Elisa é a mãe da minha esposa. Ambas contribuem com os ouvidos para eu ficar soltando estas ideias malucas. No caso deste artigo as duas ouviram um bocadinho e forneceram muita experiência de vida. Obrigado, senhoras! :D



Emerson Correia Costa

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Enxergue a marca como uma pessoa!


Estudo de caso da marca Fiat

A Fiat completou 11 anos de liderança no mercado brasileiro. Você imaginava que a marca iria comemorar assim?





Olha só que interessante. Isso é uma fabricante de automóveis ou uma fábrica de histórias?

Como você usa seu carro?

#TAMOJUNTO

Será que temos de associar uma marca tradiconal de grande prestígio e poder a um senhor de idade com barba no rosto demonstando muita experiência? Nada com os senhores de idade, mas o público que mais consome automóveis no Brasil tem entre 18 e 40 anos. Só na cidade de São Paulo "observa-se que 75 % das mulheres têm menos de 40 anos, contra 63,8% dos homens". 
Fonte: http://www.cetsp.com.br/media/20839/nt121.pdf

Toda grande marca sabe como sua marca seria se fosse um humano. Essa descrição guia todas as campanhas da marca. O mais interessante nisso é que essa descrição fica guardada no inconsciente coletivo através das transmissões campanha a campanha. Transformá-la em palavras fica para os estudos publicitários, mas para o consumidor basta a imagética.

Portanto, se eu me identifico com a imagética eu compro os produtos dela. Isso é simples.


Utilizarei, de forma resumida, o BIP (Brand Identity Profile) para mostrar uma técnica de projeção para avaliar a imagem e a personalidade da marca. Com ela propagandas como as criadas com a "Porta dos Fundos" são totalmente explicadas, gerando resultados palpáveis de manutenção de marca.

Personificando a Fiat com base em todos os materiais que coletei da marca neste artigo diria que ela é assim:

- Jovem
- Segura
- Inteligente
- Aventureira
- Tecnológica
- Feliz
- Bem humorada
- Acessível
- Tem de 22 a 40 anos
- Inspira muita confiança e respeito

Não recebi nenhuma descrição da marca, apenas traduzi em palavras a imagética que recebo. Quando eu opto por um Fiat, necessariamente, não trago essas palavras à consciência, mas as traduzo em impulso de compra, pois me identifico com as coisas escritas acima.
Por exemplo, talvez você não seja um aventureiro por não ter coragem de escalar montanhas, mas que tal comprar o carro que forja a mesma sensação e te deixa com os pés colados na parte baixa da montanha? Já reparou que clientes amam carros da categoria "cross" sem se quer andarem em estradas de barro?
Pense nisso!

As mitologias (bem feitas) que são apresentadas todos os dias nos mais diversos lugares que frequento ou gasto tempo me fornecem sentimentos que a marca traz consigo. Traduzindo para o código humano temos as características acima.

MAS MINHA MÃE TEM 60 ANOS E AMA O PALIO! EXPLIQUE-ME POR QUÊ.

Provavelmente sua mãe se sinta jovem o bastante no interior dela e por isso quer esse carro. No momento da compra ela jamais trará um significado desse de forma retórica à cabeça, mas de alguma maneira ela se identifica com esse carro. Ninguém é velho até que sua mente realmente envelheça. Enquanto alguém se considera jovem, carcaça enrugada alguma poderá dizer o contrário.
Mais uma vez: os fabricantes forjam sensações que você jamais alcançaria sem os produtos deles.

Repare que a personificação da marca pode se encaixar no perfil de uma pessoa de 60, 70 ou mais. Qualquer pessoa pode se identificar com as características acima.

Sabe porque a Fiat criou a campanha "Todo Mundo é Líder em Alguma Coisa" da maneira como criou?
Porque se ela fizesse uma campanha toda formal iria totalmente contra ao seu perfil. Perfil este que está guardado no inconsciente coletivo da maneira como traduzi.

Você sabe que a Fiat é assim e é assim que quer vê-la. Se ela aparece de maneira diferente você estranha e os resultados são mais difíceis de se mensurar. Um exemplo recente foi o do novo Classe A Mercedes.

Quando você começar a enxergar uma pessoa, e não uma marca, tudo será diferente.
A marca é mais que um logo, é uma entidade perceptual que tem a capacidade de moldar seus valores, sua maneira de conduta.


Emerson Correia Costa

domingo, 14 de abril de 2013

Início de recuperação da marca Ades




Motivado pelo comunicado da Anvisa resolvi escrever sobre o caso. Ainda não há uma campanha no ar. Pelo menos até o momento dessa postagem ainda não vi nenhum trabalho publicitário começando. Tudo está muito novo.

E é aqui que quero fazer, em resumo, um trabalho de planejamento antes mesmo de começar a ver qualquer coisa. Meu objetivo não é apresentar uma campanha pronta, mas as questões dentro de um planejamento de campanha que poderá vir a aparecer.

Até o momento:
A Unilever já está se movimentando. Desde o anúncio do recall ela já mostrava seu respeito ao consumidor. Não pestanejou em nenhum momento, afinal vidas estavam em jogo e não mais uma marca. É por isso que acredito em uma reestruturação de valores nas mentes dos consumidores. Será um trabalho que demandará tempo, mas que terá resultados positivos.

Para planejar este artigo me baseei em um dos pilares abaixo. Não recebi nenhuma informação da Unilever.

Pilares:
- Se o consumo geral da marca caiu
- Se o consumo só caiu no suco de maçã do modelo Ades Frutas

A partir de agora desmembrarei cada um deles.


Se o consumo geral da marca caiu:
Nesse caso já tomei por base que a população não entendeu que só a linha maçã é que teve o problema anunciado. Bom, a população entende o que quer e a responsabilidade de entrar nas mentes para dizer que foi só um um sabor de uma linha fica por conta do fabricante.

Voltando no tempo me lembrei do caso do Volkswagem Fox, que guardadas as devidas proporções, também era somente um modelo de uma marca como um todo.
A marca Volkswagem é muito bem estabelecida na mente dos consumidores e não há possibilidades de associarmos Jetta e Fox, ou Gol e Fox. Cada carro é uma marca independente, praticamente. Eles são individuais. Mas, será que os sucos da Ades também são marcas individuais? Não são!

Outro ponto interessante é o valor agregado e suas utilizações. Ambos estão ligados à vida, um alimenta e o outro transporta. Em ambos os casos, qualquer falha no produto pode ser arriscado. No caso Fox não havia danos à vida, mas ao corpo. Já no caso Ades o risco foi maior. Intoxicações ou queimaduras internas podem matar. Um carro é consumido por maiores de 18 anos, o suco não. O suco é também consumido pelos filhos. Quem não ama os filhos? Que não os quer proteger?
Durante o episódio da marca muitas escolas informaram os pais sobre o problema com a marca, recomendando que os mesmos não comprassem o suco para o lanche das crianças. Isso não é sério demais?

A marca Ades conseguiu construir a mitologia no inconsciente coletivo. Isso levou anos. Não foi um processo com duas, três campanhas, mas uma construção com muitos passos. Agora, quando toda a mitologia (seus filhos devem consumir o melhor para crescerem saudáveis ou você, pai ou mãe, podem ter vidas saudáveis com nosso produto) é ferida por um infeliz caso como esse a semiose é rápida: preciso proteger meus filhos desse problema. A escola fez a mesma coisa.

Os modelos da marca do suco não têm o mesmo poder dos modelos de automóveis. Na nossa cabeça, pensando rápido é assim, o mesmo barril que faz o suco de maçã pode fazer o de laranja. Não arriscarei.

Veja o vídeo (link) abaixo como complemento:

Claro que a mitologia da marca atinge mais que só crianças. Afunilei nesse segmento apenas para ilustrar como a construção de significados (semiose) acontece. Uma história mitológica com significados valorosos como a refeição na escola e o buscar na porta da escola. Detalhe interessante que não é uma mãe dirigindo o carro, mas o pai. Ponto muito bem levantado, pois isso já é normal na sociedade de hoje a responsabilidade pelos filhos estar bem compartilhada entre pais e mães. 
Focando também em uma formação de opinião sobre o produto, a marca criou uma linha voltada ao público infantil, afinal será esse público a continuação do consumo no futuro. Se eles consomem sucos à base de soja desde pequenos, com certeza continuarão consumindo depois de grande. Que interessante seria se eles crescessem consumindo minha marca, não é? Então, a Unilever tem de se mexer e bem rápido.


Se o consumo só caiu no suco de maçã:
Não tenho informações da empresa, portanto não sei dizer se foi assim. No entanto, se os outros modelos e sabores não tiveram reflexos o estrago não foi tão grande.
Por questão de pesquisa gostaria de trabalhar com a primeira hipótese. A marca como um todo sofreu por conta do problema. Então, vamos lá!


Detalhamento da marca:
A marca atualmente conta com os seguintes modelos:
- Ades Original + cálcio (sem definição de idades. Não contém o sabor maçã)
- Ades Frutas (sem definição de público aparente. Contém o sabor maçã)
- Ades Max (público infantil. Contém o sabor maçã)

Antes de mais nada levantarei os atributos psicológicos da marca. Nesse momento não usarei os atributos físicos. Por que? Porque quando uma marca passa por um problema como esse os reflexos ficam no inconsciente do consumidor. E nesse caso só podemos atingir o inconsciente para corrigir o problema se trabalharmos com ferramentas que cheguem até as profundezas da mente..

"Se o objetivo da campanha for (...) a modificação da imagem existente, a estratégia apropriada será certamente a da imagem". RANDAZZO, 1997, p.318.

Russell Haley, em complemento, explica que "a força fundamental deste modelo está em proporcionar benefícios sensoriais" capazes de "tornar as pessoas associadas com a marca envolvendo de alguma forma as suas emoções e forjando um vínculo emotivo com o consumidor" (1984, p.10).

Barry Feig, no mesmo raciocínio, reforça para nos dirigirmos "ao consumidor em nível emocional e pessoal - um produto que fique no coração dos consumidores" (1986, p.18).


Atributos emocionais que a marca já sabe e costuma trabalhar:
- Vida mais saudável (a soja, produto da marca, é um alimento muito associado a este estilo de vida)
- Força para todo dia
- Manifesto Ades: O importante é ser espontâneo. É ser você mesmo e rir, dançar, brincar, curtir cada momento da vida. A campanha é baseada em uma pesquisa sobre o comportamento das pessoas diante de situações planejadas e inesperadas no dia a dia. O resultado é o Manifesto de Ades, que usa cenas de pessoas bem-humoradas para mostrar que o mundo fica melhor se a gente deixa a vida fluir.


Planejamento de ação:
Antes de mais nada um fato curioso: a Ades retirou do ar a campanha Manifesto Ades citada acima. Sabe o por quê?
O que a marca causou no mercado foi muito sério. Como a marca poderia fazer um "manifesto" com o texto acima se seus produtos podiam matar. Poderia ser um "tiro no pé" com consumidores bombardeando a marca. O básico ela não cumpriu que é produzir com qualidade. 
Isso foi um fato. No entanto, vale ressaltar que, não fosse o problema com o produto, a campanha seria mais um sucesso na manutenção da marca. A essência dos autores acima está aplicada nela. Em nenhum momento há citação de benefícios técnicos como você pode ver. Tudo muito bem pensado para para tocar o inconsciente. Só valores!

Sendo assim, na minha opinião, da maneira como aconteceu o correto seria combinar o trabalho psicológico com uma mensagem séria. De muito respeito aos consumidores fiéis à marca e aos consumidores que se prejudicaram com o produto contaminado.

Dado importante: ter a informação do desempenho de vendas é crucial nos próximos passos. Neste caso não tenho esses dados e estou simulando uma queda de vendas geral em todos os modelos da marca.

Continuando, vamos partir para o campo mitológico, maneira pela qual, conseguimos trabalhar emocionalmente (psicologicamente).

Quando criança, se cometíamos uma falha, ou se falávamos alguma besteira, por exemplo, nossos pais diziam: peça desculpas. Isso não se faz! Cheios de vergonha dizíamos a palavra "desculpas" quase que engasgada, mas tínhamos de falar. Se a falha ou a besteira cometida fosse com um de nossos "amiguinhos" logo depois do pedido já estávamos juntos, brincando novamente.
De maneira geral o ser humano não age assim facilmente. A Bíblia também nos mostra muitos casos destes. Muitas vezes o gesto de pedir desculpas é associado à covardia. À fraqueza. Mas, de uma maneira geral, as desculpas podem apaziguar uma contenda. Elas acalmam e controlam uma situação. Representam respeito ao próximo.

Quando adultos é que as coisas complicam. Frases do tipo "eu não levo desaforo para casa", ou então, "determinada pessoa não merece minhas desculpas" são corriqueiras. Os adultos, ao contrário das crianças, não perdoam com muita facilidade. Não esquecem facilmente.

Agora, veja que interessante. Se a Ades tivesse de se desculpar às crianças a aceitação do pedido seria imediata se a construção da história com o pedido inspirasse verdade aos olhos infantis. Logo, as crianças são as grandes influenciadoras nos valores dos adultos. Uma campanha com pedido de desculpas, de forma mitológica, seria inédita e ousada. Se você que está lendo conhecer alguma campanha moldada nesse símbolo, escreva nos comentários. Já rabisquei um curta para treinar. Deixarei guardado e acompanharei as respostas da marca.

De volta, ainda no campo mitológico temos a Branca de Neve e os Sete Anões. Qual a fruta que foi entregue à personagem? Uma maçã. Coincidentemente temos a mesma fruta no problema da marca. Assim como no conto, a Ades sofreu com o feitiço em suas maçãs. Em ambas as histórias não houve morte e a princesa (consumidor) viveu feliz para sempre. Ninguém odeia a maçã por causa do conto. A fruta é deliciosa. Tudo que a fabricante precisa criar é uma bruxa para despachar essa culpa. Crie um mito com um culpado e mostre ao público.

Mais uma: qual é o símbolo mitológico como forma de um aluno agradar um professor? A entrega de uma maçã. Realizando este ato a criança reconhece a autoridade do professor(a) e tenta agradá-lo(a) por interesses ou simplesmente pelo gesto de reconhecimento. Nesse caso temos a maçã como a propiciadora de relacionamentos.

As mitologias acima podem originar campanhas de reestruturação. Aparentemente você pode questionar sobre como as histórias acima podem fazer algo, mas elas cresceram na mente dos adultos atuais e vêm se formando na cabeça das crianças. Todos sabem o resultado final de cada uma delas e, transformadas em uma sequência mitológica com a marca Ades em meio a elas, podem tocar os adultos novamente. Não se assuste, pois são mitologias antigas com plataformas criativas atuais que vemos diariamente na publicidade. Os resultados são certos. A Nike é meu exemplo favorito porque é uma grande utilizadora de mitologia para manter sua marca tão forte em nossas mentes. Pretendo escrever logo sobre ela.

Saindo do campo mitológico, há também o "tempo natural de esquecimento". Pensando no capitalismo essa segunda opção poderia ser perigosa. As pessoas esquecem do problema causado e também de comprar o produto em um espaço de tempo. Isso significa zero de rentabilidade e portas fechadas. Portanto, esqueça.


No Ponto de Venda:
Renovação das embalagens dos modelos atuais. Essa opção tem de ser avaliada através de pesquisas. A marca Ades é sinônimo de vida saudável. Isso está construído na mente. O problema é que esse sinônimo teve uma mancha. Toda a entidade perceptual da marca, quando no ponto de venda, é associada à embalagem do produto e aqui temos o ponto. Durante a exposição negativa nas mídias a atual embalagem do modelo "Ades Frutas" é que absorveu os traços negativos. Veja abaixo a imagem coletada no dia 14/04/2013 em um mercado de grande porte na cidade de Indaiatuba.



O problema foi contido, mas a confusão na cabeça do consumidor ainda existe. Qual o modelo com problemas? Ainda há problemas ou tudo já foi resolvido? Uma pesquisa nesse caso diria como está o desempenho do comportamento de compras.
A associação do modelo prejudicado ao lado dos outros modelos na gôndola influencia? Essas respostas são necessárias para saber como agir. Em específico no dia de hoje a gôndola estava totalmente arrumada e isto não é um bom sinal, pois transparece que os produtos estão parados.


Consideração final:
Você compraria um Fox nos dias de hoje?
Antes de comprar você pensaria que foi nesse modelo que algumas pessoas perderam seus dedos? Talvez você nem se lembre desse fato. Na época, ao contrário da Ades que descobrindo o problema já acionou o recall, a Volkswagem segurou ao máximo a chamada, alegando não ter problemas. Foi através de interferência maior que a montadora foi obrigada a chamar os veículos às concessionárias.

Os valores de uma marca são poderosos nas mentes. Quando decidimos uma compra, levamos em consideração esses valores e quase sempre não lembramos de retóricas bem construídas.

Alimente a alma do consumidor com valores. Esse é o caminho. Esses valores sobrepõem a retórica negativa. Tudo é questão de tempo.

O consumidor exige respeito e a Unilever já se mostrou pronta a respeitar. Agora, o segundo passo é pegar um "apagador" e limpar os escritos negativos do incidente no "quadro negro". Uma retórica bem feita, ainda assim, não é melhor que a persuasão.

Planejar uma campanha como essa seria um prazer. Confesso que gostaria de trabalhar com uma equipe a reconstrução desta marca. Seria demais!


Nota: O mundo da publicidade trabalha na construção de marcas. Em nenhum momento neste artigo pretendi desmerecer a vida do ser humano tratando-o como um objeto. Apenas ilustrei uma possível estratégia de recuperação por parte da marca com relação ao problema ocorrido.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Prove que você não é um robô!


Contrariando a regra farei um post diferente, mas nem tampouco fora dos objetivos do blog.

O pensamento desta postagem foi elaborado e publicado nos comentários da postagem anterior "Esse carro não é para o papai!..." pela Renata Correia Costa. Uma geógrafa de 23 anos muito ligada em filosofia. Um exemplo de vida, de empenho e dedicação na profissão que escolheu. Minha irmã querida e inspiradora.

O interessante do pensamento desenvolvido por ela foi o fato de ser a base de qualquer campanha ou criação publicitária. Quando entendemos e conseguimos aplicar o conceito atingimos o ser humano no inconsciente, tendo um acesso temporário na mente dele, podendo levar coisas boas e/ou ruins.


"Hoje escutei uma professora dizer que a principal característica que faz um animal se tornar humano é a curiosidade. Logo, só somos humanos porque temos a necessidade de conhecer o desconhecido... é aí que nasce o mito, a explicação para o inexplicável, a resposta dos por quês. A nossa carapaça, ou seja, como nos mostramos para o mundo, é reflexo do nosso SER interior, e é nele que moram os mitos, ou melhor, é nele que os mitos nascem, crescem, tornam-se fortes e, por fim, são concretizados e lançados ao mundo exterior.
Quando o Homem descobriu a força do mito, foi achada a chave que pode abrir caminhos para a construção ou para a destruição. A mídia encontrou essa chave. Ela "fechou" as portas da curiosidade e "abriu" as janelas da admiração. Abrir uma porta significa ter que caminhar para dentro ou para fora, mas a janela serve para apenas olhar. Os mitos, as ideias, as atitudes são agora pré-estabelecidas. Todos pensam, agem, comem, vestem e dirigem as mesmas coisas, é claro que cada um no seu quadrado... rico de um lado, classe média do outro, e os pobres por entre as brechas... mas o fato é que não somos mais levados a refletir, apenas a comprar, fazer, ter, e por aí vai. O ser humano está deixando de ser HUMANO, está se tornando um robô pré-programado, e quem tem o código-chave é a mídia!"


Depois que ela escreveu o raciocínio acima e apertou "enviar" apareceu a seguinte mensagem: PROVE QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ. Ela se assustou e pensou "na possibilidade de uma mensagem subliminar" direta para ela. Fato muito engraçado que a fez rir.

O ser humano, assim como se alimenta dia a dia para manter o corpo em perfeitas condições de saúde, também alimenta sua alma para ter perfeitas condições mentais. Vejam só algumas citações que tratam o assunto:

"E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome (espiritual), e quem crê em mim nunca terá sede (espitirual)." Versículo de João 6:35 - Bíblia Sagrada.

"As mitologias nos ajudam em nosso equilíbrio espiritual, moldam a nossa vida, e nutrem nossa alma". RANDAZZO, 1997, p.58.

"A força do mito e dos símbolos está na sua capacidade de romper a nossa armadura intelectual, para chegar à nossa alma." RANDAZZO, 1997, p.82.

Temos mais autores que tratam o tema, entre eles Jung e Campbell que vale uma consulta.

Se você reflete um pouco no assunto começa a entender a manipulação das massas. É interessante trazer um assunto deste à tona? Com certeza as marcas não farão isso, mas se você quer criar as melhores campanhas para as melhores marcas, com certeza o domínio deste assunto é requisito básico.

Portanto, sabendo que o ser humano precisa alimentar sua alma, então vamos oferecer a comida espiritual. Oferecendo está comida "a publicidade criadora de marcas forja um vínculo emocional entre a marca e o consumidor", segundo Randazzo (1997, p.54), ou seja, você acha que através dela tem toda a sua fome saciada. De fato ela não saciou sua fome, mas forjou a sensação.

Uma mitologia de marca de sucesso fecha "as portas da curiosidade", fazendo com  que "as janelas da admiração" sejam sua única fonte de alimento. Da janela você só recebe a informação, mas não questiona, não entra no ambiente do qual está a janela em que você é espectador e discute se está certo ou errado.

Decidir como usar esse conhecimento é responsabilidade de cada um. Podemos cultivar robôs programados para comprar, ou não. Quer ver?
Na prática, será que precisamos trocar de celular à medida que um novo modelo é lançado?
Precisamos ter mais de 250 canais à disposição em nossa TV?
A festa só fica legal mesmo se tiver a bebida alcoólica do momento?

Repare que possuindo os objetos das perguntas acima vamos nos satisfazendo interiormente. Mas, será que a satisfação é plena?

Há uma onda bem interessante do consumo consciente. Você acredita nela? Você acredita no aprecie com moderação? Claro que não acredita porque 99% de uma propaganda de bebidas alcoólicas é sobre quem você se torna com minha marca e 1%, daquele jeito que você acelera a voz e fica bem estranho, é sobre o consumo moderado.

Há estudos para se tirar as propagandas de bebidas alcoólicas da TV, assim como aconteceu com o cigarro, mas isso não acabará com a publicidade das marcas, só as obrigará a procurar um novo caminho para chegar às almas novamente.

Sabe porque o emprego dos publicitários ainda está garantido nestas condições? A publicidade não acaba, mas procura novos meios. Será que a TV continuará sendo o principal meio criação de mitos nos próximos 10 anos? Ela já não é o meio principal. As campanhas têm de ser Transmídia, senão o resultado não atinge o esperado.

Seja como for, o foco continuará sempre sendo a alma do homem e quem entende isto só precisa indicar um novo meio para acessá-la novamente.




Rezinha, gostaria de agradecer sua contribuição fantástica, minha querida irmãzinha. Eu me orgulho demais de você e sei que você vai longe. Sou seu fã!


Emerson Correia Costa

domingo, 7 de abril de 2013

Esse carro não é para o papai! AAAA Lelek Lek Lek

Vídeo de lançamento do novo Mercedes-Benz Classe A nas mídias sociais:

Vídeo de lançamento do novo Mercedes-Benz Classe A no site oficial da montadora:


Tema central: Posicionamento de Produto

"A estratégia de posicionamento representa uma mudança considerável em relação às demais estratégias de mensagem, na medida em que não focaliza nenhum dos elementos da publicidade (benefícios do produto, imagem do usuário etc.) mas o posicionamento perceptual do produto na mente do consumidor." RANDAZZO, 1997, p.321

Pontos importantes que devem ser considerados: Plataforma Criativa e Mitologia Latente de Marca
"No caso de marcas estabelecidas, a plataforma criativa precisa definir claramente a imagem, a personalidade e a mitologia que a marca já tem." RANDAZZO, 1997, p.326

"A mitologia latente do produto tem a ver com a história, os fatos, o folclore, as impressões, as crenças, as experiências e os sentimentos associados com o produto." RANDAZZO, 1997, p.330


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Começo com esse título porque, pelo menos nas mídias sociais, a Mercedes Benz já posicionou seu  lançamento. Esse carro não é para o papai. Esquece!

No mercado brasileiro eu nunca havia visto algo desse tipo, principalmente por ser uma marca tão forte e com uma mitologia de marca muito bem definida.

Vamos aos pontos que fizeram desse comercial tão interessante:

Trilha sonora: um hit de sucesso no momento. Voltado aos jovens de 16 a 30 anos, aproximadamente. Se contarmos que podemos dirigir a partir dos 18 anos, então já temos um intervalo de idade definido.

Sobre a trilha sonora: música no estilo funk (popularizado nas comunidades cariocas) que estourou no mercado brasileiro de músicas com um jovem em ascendência, muito rico, que aprecia automóveis de qualidade, escutando e dançando esta música. Nome: Neymar da Silva Santos Júnior, ou apenas Neymar Jr. Sobre o Neymar, se não estou enganado, o carro dele hoje é avaliado em R$800.000.00 segundo uma publicação do G1 que fazia uma piada sobre ele fazer comerciais da Volkswagem e sair do estúdio de gravação com um brinquedo muito mais caro.

Deixando de lado a maneira como a música ganhou sucesso, vamos entender a nova onda do funk no Brasil. Pois bem, hoje não podemos dizer que só os pobres escutam funk. Pelo contrário, as casas noturnas das mais variadas classes sociais tocam esse estilo. Esse é o estilo do momento. O paulista escuta, o carioca escuta. Duas regiões do país com muitos clientes em potencial que podem esbanjar com carros e outros objetos mais de valor.

Mitologia latente da marca Mercedes-Benz: essa é a área que estamos livres para falar de uma marca. Afinal, essa mitologia está guardada no inconsciente de todos.
Bom, vamos lá. Quando pensamos em lançamentos da Mercedes-Benz, carros, temos dois tipos de músicas que costumamos ver: clássicas e/ou eletrônicas. Geralmente, se os carros são os mais luxuosos, eles são apresentados com clássicas, pois, nada mais que óbvio, o público desses carros são de uma faixa etária bem alta, com muito poder e dinheiro para "gastar", sem medida alguma. Esse público refinado aprecia essas músicas e, pela mitologia latente de todas as categorias nessa faixa, essa é, digamos assim, a trilha padrão.
Agora, se os carros são luxuosos, mas em categoria de preços para competir com outras marcas em ascendência, principalmente Kia e Hyunday, mas coloque nessa lista como concorrentes ainda a BMW e a Audi (mercado brasileiro), as músicas já são eletrônicas, que são associadas à tecnologia, performance, design de ponta etc., nesses casos a mitologia desses produtos (esqueça as marcas, foque no produto carro com valor acima de R$75.000,00) foi formada dizendo que este estilo de música eletrônica é o que o público está habituado.

Plataforma criativa: vamos relembrar o que o autor nos diz: "No caso de marcas estabelecidas, a plataforma criativa precisa definir claramente a imagem, a personalidade e a mitologia que a marca já tem." Bom, analisando o comercial temos a imagem com uma alteração apenas, mantendo os traços já característicos que é a exposição do carro com muitos reflexos destacando o design, muita luz, ou seja, tudo o que as outras marcas também fazem na categoria. A alteração, obviamente, ficou por conta da trilha que nesse caso é inovadora no segmento. Posicionou um produto específico.
No entanto, mesmo este posicionamento, ainda que muito ousado, precisará ser mais explorado até que venha a transformar a imagem, ou seja, isso levaria um tempo e muitas campanhas com esse molde.
A personalidade da marca não se altera, continuamos sabendo que o carro apresentado é Mercedes-Benz, com tecnologia e características já conhecidas da marca. A marca permanece inalterada.

A mitologia como vimos também está presente e, como sabemos, não se alterou com esse comercial. Precisa-se de uma construção de novas histórias até que algo possa ser sentido no inconsciente comum dos consumidores, falando em âmbito mitológico. Isso levaria tempo e muitos investimentos, mas, com certeza, esse não é o objetivo da Mercedes. Ela quer é posicionar seu mais novo produto.

Posicionamento de Produto: esse foi o objetivo principal da campanha. Não há dúvida. A marca não quis mudar sua identidade, sua cultura, seus valores, ela apenas quis posicionar seu produto de maneira diferente. Maneira esta que atingiu nossa inconsciente logo de início, afinal nossa primeira reação foi dizer: a Mercedes lançou um carro com "A Lelek lek lek", como assim?

É óbvio que a sensação é esta. Não queremos mudar. Queremos receber informações que se encaixam em nossos padrões. Queremos o igual.
Já que somos assim e os criadores da campanha sabem disso, então a marca disse: esse carro não é igual aos que você está acostumado a ver.
Se você tem R$99.000,00, ou se seu pai pode te dar essa grana, esse é seu carro.
As meninas na balada curtem esse som. Em uma festa, que seja, se esse som é tocado qualquer um começa a se mexer. Quem tem esse carro está top no momento, assim como a música. Você pode "apavorar" com um brinquedo desses.
Agora, se você não tem essa grana tudo bem, mas saiba que esse deve ser o sonho de qualquer pessoa na faixa etária de alvo da campanha, um Mercedes Classe A.

Entendeu porque seu pai não vai querer esse carro?
Ops, na verdade ele pode querer sim, se assistir ao comercial no site oficial da marca. 
Veja no início da postagem os dois vídeos.
No site oficial a categoria esportiva continua em destaque, mas a trilha sonora já é outra. Os pingos de água já não aparecem. As curvas bruscas e os giros do veículo no asfalto molhado também não estão lá. Talvez uma maneira de sugerir uma direção mais defensiva, mais cautelosa. Isso não quer dizer que a marca quer que o motorista desrespeite as leis de trânsito, mas no fundo tem seu significado. O jovem é ousado, desafiador, valente com um carro poderoso nas mãos.
Além disso, como a marca não tem o objetivo de atacar sua mitologia construída, dentro do seu ambiente padrão, as coisas são padrões. "A Lelek lek lek" é só para o local onde estão os jovens. 

Já que eles não navegam no meu site eu, Mercedes-Benz, vou até eles do jeito que eles querem ser.

Assim como o autor nos coloca que o posicionamento "não focaliza nenhum dos elementos da publicidade (...) mas o posicionamento perceptual do produto na mente do consumidor", essa campanha é totalmente psicológica. Já sabemos que Mercedes é top, não há discussão, então a marca não precisa me dizer isso novamente, apenas me diga onde estarei se tiver um. Como serei notado se tiver um?

Do mais, o lançamento é polêmico e esse é outro objetivo. A marca quer ser comentada e sabe das possíveis consequências, sejam negativas ou positivas.
Antes de um lançamento como este há estudos, há previsões de comportamento dos receptores da mensagem, afinal a marca jamais deseja cometer o mesmo erro de quando lançou o primeiro Classe A no Brasil, lembram-se?


Emerson Correia Costa



sábado, 6 de abril de 2013

Hello world!


Hoje digo para mim mesmo que dei um passo bem interessante.
Estou dando um "oi" para uma ferramenta que irá tolerar todas as minhas viagens psicológicas. Mas, não pense que são viagens sem rumo.

O rumo que este blog irá tomar será o da análise de campanhas publicitárias que ganham destaque no cenário mundial, tendo opiniões imparciais se a campanha está certa ou errada, ou seja, foco total em como as estratégias foram desenvolvidas, deixando a interpretação final a você que lê.
As análises se basearão em métodos de pesquisas de autores e profissionais do ramo.
A pesquisa se dará de trás para frente. O processo inverso de criação, ou seja, do produto (campanha) criado à ideia ou necessidade que o originou.

Pois bem, antes de mais nada preciso explicar dois códigos, ou símbolos, como Randazzo diz em sua obra A Criação de Mitos na Publicidade, que estão presentes nesse meu espaço.

O primeiro símbolo é o título desse meu blog: Making of Publicitário.
É no making of que muitas vezes tiramos informações inusitadas de algo que vimos. Descobrimos o como foi feito. Atualmente, o making of se tornou uma atração. Muitas vezes é mais interessante assistir a um making of do que propriamente o conteúdo do qual ele foi extraído. Engraçado.
É com base nisso que criei o Making of Publicitário. Um espaço para extrairmos informações inusitadas sobre as mais variadas campanhas que chegam prontas e embaladas todos os dias para nós.
Você publicitário, profissional de marketing, interessado, curioso, está convidado a mergulhar nesse paraíso de criativade e muita inteligência estratégica. Vamos juntos!

O segundo símbolo é o globo terrestre de ponta cabeça ao lado direito.
Eu o transformei em um símbolo para minha vida baseado em uma pergunta que faço a mim mesmo constantemente. Essa pergunta me motiva e me faz querer criar e mergulhar cada vez mais em todos os ambientes que sou apresentado, situações, momentos, etc. Agradeço ao meu Pai do céu por me dar sabedoria e liberdade para poder fazer essa pergunta todos os dias nas mais variadas coisas que tenho contato.

Quem disse que está correta a maneira como lhe ensinaram a ver o mundo ?

Todos podem enxergar o globo dessa maneira.
No espaço mental, assim como no espaço sideral, não existe gravidade, não existe em cima, não existe embaixo, existe na verdade milhares de imagens arquetípicas, aparentemente sem sentido, ou talvez que você pense que não têm sentido, ou talvez que você ache que nunca são acessadas, mas que estão prontas para serem descobertas e apresentadas ao mundo.

É com base nessa questão que irei pesquisar as mais diversas campanhas que temos acesso para trazer até aqui a combinação teórica e prática.
Papai do céu, mais uma vez, muito obrigado por me encher de vida!

Detalhe, esse globo realmente fica sobre minha mesa de trabalho. Digamos que nesse background eu dei uma leve aumentadinha.

Hellooooo world!
A primeira postagem já está vindo por aí.